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ADORAÇÃO E COMUNHÃO - Por Nelson Bomilcar
 
No universo de significados na adoração, é de profunda importância a palavra KOINONIA (comunhão). Quando olhamos a realidade da igreja chamada primitiva em Atos 2.42-47 e Atos 4.32-35 percebemos que a comunhão genuína traz grande autoridade para a igreja, fortalecendo o seu testemunho. O louvor, a alegria e singeleza de coração eram resultados imediatos desta vida de koinonia.
Nas duas referências bíblicas acima, encontramos um ingrediente fundamental para que pudéssemos ter uma vida comum, compartilhada, sincera, transparente e de alegria: a manifestação contínua da graça de Deus. Esta ação divina sobrenatural e os recursos infinitos da Graça são o que possibilita a vivência da comunhão e a unidade no espírito.

Temos o exemplo desta koinonia em sua plenitude no relacionamento misterioso do Pai, Filho e Espírito Santo (1 Jo 1.1-4) e precisamos nos espelhar neste relacionamento. Servimos a um Deus Triúno, alicerce para toda a nossa compreensão correta da revelação.
Viver e promover esta comunhão demonstra nosso compromisso em primeiro lugar para com Deus e depois para com nossos irmãos. Lemos em 1 João que nossa comunhão deve ser com "o Pai e com seu Filho Jesus Cristo" (1.3). O versículo 6 diz que "se dissermos que mantemos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade". Mas, "se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão com os outros" (v.7.)

O desafio de andar na luz está diante de nós, cristãos, e de nós, músicos, que tentamos servir a Deus através da expressão artística e de uma vida íntegra. Inda mais se aceitamos que é possível viver da música profissionalmente fora do ambiente eclesiástico, mesmo após a conversão. Neste sentido, não tenho visto a mesma opinião e convicção na igreja, entre os que atuam na adoração através da música.

O desafio da comunhão e através dela buscarmos e preservarmos a unidade, é o caminho que o Senhor Jesus mostrou em sua oração relatada em João 17 no sentido de que desenvolvêssemos e preservássemos a unidade, assim como Ele e o Pai são UM! Precisamos numa vida de adoração, ter o firme propósito de vivermos em comunhão e desenvolvermos a unidade em Cristo.

Nós lemos na experiência de ATOS (caps 2 e 4) que para ser uma comunidade de adoração é necessária a atuação da graça de Deus aliada com um esforço de cada membro do Corpo de Cristo de desenvolvermos a unidade. Conhecer a Palavra de Deus, vida de oração, exercício dos dons espirituais, mutualidade, e principalmente atitude de servo, além de relacionamentos baseados na verdade, sinceridade, perdão e amor, são fundamentais para a comunhão acontecer.

Devemos ressaltar também a importância da celebração contínua da ceia. Quando celebramos a "eucaristia", a ceia do Senhor, manifestamos de forma prática a celebração desta comunhão, como um ato de adoração, neste marco em memória do Senhor!
Sabemos que o ministério da música na adoração, tanto em comunidades locais e fora dela, tem sido terreno difícil de comunhão e unidade. Até porque que os que são dotados de sensibilidade artística, costumam ter o ego superabundando mais do que a graça e o espírito humilde. Como é difícil fazer com que músicos caminhem juntos, sirvam juntos, somem suas vidas e talentos para adorarmos e proclamarmos o amor de Deus.

"__Ah, minha escola é diferente, minha formação é diferente, não temos afinidades, meus gostos estéticos e musicais são diferentes, eu sou erudito e você é popular, não dá para caminhar, servir e tocar junto. Creio até que devemos estar em igrejas diferentes. É melhor cada um na sua, cada um por si e Deus por todos".

Este chavão ou slogan que daria mais para para-choque de caminhão, slogan bem humano e porque não, carnal, esconde muitas vezes a natureza do nosso coração. Cheguei a ter numa experiência de igreja local, vários regentes de coro que não conseguiam, e mais, não desejavam caminhar juntos. Nem buscando respeitar e encorajar o projeto um do outro, buscando uma complementaridade saudável para a adoração, para a igreja, para o Reino.

Egos que não se bicam ou se cansam da caminhada comunitária e de grupo, proliferam assustadoramente no meio musical evangélico, alimentados pela mídia, gravadoras e empresários, isto é "antes de ti nenhum deus se formou e depois de mim nenhum outro haverá", nova versão revista e atualizada.... Só você é lindo, só sua música é bela, etc. Egos são de fato, pequenos deuses criados e que precisam de alimento. Enquanto Jesus encoraja a comunhão e unidade, tentamos vive-la "tu no teu cantinho e eu no meu".

Alguns até por experiências traumáticas e negativas do passado, tentam justificar o "novo posicionamento" do isolamento, do caminhar só. Mas o evangelho tem muitos recursos para a cura e sanidade das memórias e mágoas. O caminho às vezes é um pouco longo, mas com os recursos da graça e do Espírito Santo, é possível recomeçar e continuarmos numa caminhada de soma, de corpo, de equipe. O resto é desafio constante de ser família, família de Deus.

Vivemos um tempo propício para arrependimento, relevante para o exercício do "lavar os pés uns dos outros". Não se esquecendo que é preciso, antes, nos lavarmos primeiro, confessando e abandonando pecados. É tempo de enxergarmos a beleza da diversidade, porém, ajustados numa mútua cooperação, seguindo a batuta de um único Maestro, cabeça do Corpo, cabeça da Igreja, o Chefe de todos e de tudo. É preciso decisão pessoal, esforço e Graça do Pai para buscarmos a comunhão na adoração!
Nelson Bomilcar é Diretor de Relações Eclesiásticas do ISA e um dos seus fundadores. Para saber mais acesse o QUEM SOMOS / Os Idealizadores do ISA. (Artigo escrito para a revista virtual Pro-Voice).
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